Os males do subjetivo relativista.

 "Não existem absolutos, a busca pela verdade é infinita e ingrata, não existem ideais ou uma Verdade." 
 Nesse momento Platão revira-se no próprio túmulo. "Mas como assim?" Questiona ele, "Já não passamos por essa questão antes? Já não provei a imortalidade da alma, a existência da Verdade no mundo das ideias e tudo mais? Como alguém ousa discordar de mim usando argumentos tão covardes e falhos?"
 Meu caro Sócrates, nos tempos em que esteve morto as coisas mudaram um pouquinho. Agora os ditos sábios e cultos apelam para as massas gritando possuir todo o conhecimento e verdade do mundo. Meu caro Sócrates, quem dera eles terem sua humildade ao assumir, no Fédon de Platão, que não se preocupava em ter tuas ideias rebatidas, pois em pouco tempo morreria e caso fosse verdade o que dissestes iria descobrir. 
 Mas meu caro Sócrates, as coisas não são tão simples assim. Perdoe-me dizer isso, mas essa coisa de imortalidade da alma e reencarnação, mundo das ideias e afins já foi rebatida pela ciência. É meu caro Sócrates, a ciência veio detonando todos os seus ideais lógicos e bem construídos, pelo amor que tinha dedicada a arte da filosofia eu devo ao menos pontuar que eles resistiram bem, alguns ainda persistem, não se preocupe, o ocidente gosta de mascarar ideias velhas e chamá-las de novas. O platonismo, veja bem, sendo Platão seu mais dedicado e conhecido estudante, ainda está aí, as ideias que colocou na cabeça do jovem foram muito úteis a Igreja Católica, mas isso é assunto para outro dia.
 O ponto é meu caro Sócrates, e ao falar disso não dá para deixar de chamar o próprio Platão para a discussão, que como essas suas ideias caíram por terra, já não dá mais para falar do que é verdade e colocar o mundo dos mortos e sua alma no meio. A filosofia perdeu o posto de meio científico para descobertas (embora agradeça aos esforços de todos vocês) e cabe a ela agora apenas o cargo de debatedora de ideias - mesmo que ninguém tenha chegado a um consenso e possivelmente nunca vão chegar. 
 Mas chega de introdução, meus caros amigos, porque agora é hora de falar sério sobre a Verdade.
 Essa talvez seja mais uma busca infrutífera por uma solução para esse tema, mas espero que ao menos, no final desse texto - um pouco antes de você compartilhar ele com seus amigos - você tenha despertado dentro de ti a vontade de seguir procurando uma resposta dentro do mesmo tema.
 Começo então pela pergunta que não quer calar: é a verdade absoluta dentro de um tema real ou não? Bem, para resumir essa questão rapidamente eu lanço no campo um argumento imbatível, o das verdades naturais. Alguém por favor me prove que a gravidade é uma mentira e jogue-se de uma ponte acreditando nisso. Certas coisas são impossíveis de se debater, honestamente, e assim são verdades. A "descoberta" da gravidade nada mais foi que assumir aquela situação como uma verdade absoluta. 
 Logo, se algumas verdades existem e são absolutas, como esperar que todas as outras também não o sejam? Veja bem, no universo tudo segue um princípio, seja ele matemático, sequencial, por semelhança, etc. Não há como algo deixar de existir como absoluto sem quebrar com toda a estrutura do universo, por mais que pareça absurdo e improvável, tudo tem uma ordem lógica e uma base presumível e capaz de ser descoberta, nossa "verdade natural" sobre a qual acabei de falar. 
 Assim as verdades naturais existem porque colaboram com o equilíbrio do universo, ok, mas e aí? Se sabemos sobre a gravidade, luz, energia, matéria negra e elefantes azuis, porque tantas teorias científicas caem por terra, não são elas as verdades? Não, na verdade não são. As teorias científicas são nossas interpretações da verdade, e isso significa que podemos ter interpretado errado, erros acontecem e cabe a nós continuar lutando e estudando, aperfeiçoando-nos para que deixem de acontecer. 
 Logo, se nossas interpretações estiverem erradas isso não quer dizer que a verdade deixa de existir.
 O problema é quando entramos em aspectos muito mais relacionados a psique e atitudes dos seres humanos. Já que cada indivíduo possui identidade própria e exclusividade (somos todos uma casualidade do universo, tão pequenos e insignificantes, não é verdade?) tratar de temas como amor, moral, caráter e outros fica muito mais complicado (eu sempre tenho a impressão de que estou me repetindo nos assuntos, mas foda-se, você leu uma vez e vai ler uma segunda).
 A questão aqui, ao menos, é guiada nos mesmos aspectos das verdades naturais. Os absolutos têm de existir por inúmeros motivos, e um deles é pelo simples fato de que casualidades e acasos não existem no universo. Não que seja tudo baseado em um projeto arquitetado por uma inteligência superior, isso é balela. Mas o fato é que seguindo a linha do efeito borboleta numa escala cósmica ainda maior, nossas ações são determinadas pelo conjunto do cosmos e pertencem a ele. Não que tudo esteja determinado antes de acontecer e escrito nas estrelas, mas o fato é que uma sequência de acontecimentos no passado pode gerar um resultado previsível no futuro. 
 Acabei fugindo um pouco do assunto, mas agora já voltei para o nosso tema. Tendo visto então que nossas verdades, chamemos então de "verdades humanas", têm de obedecer à mesma lógica que as verdades naturais, é novamente nossa interpretação errônea que faz da identificação das mesmas verdades um problema. Um pouco confuso? Confusa? Só coloquei aqui os dois gêneros de graça mesmo, não ligo para essas coisas e considero essa discussão dentro dos cânones feministas bem idiota e inútil. Ok, saí da linha de novo, mas se está confuso em relação ao dito nesse parágrafo minha dica é: lê de novo que não sou sua mãe pra mastigar as coisas para você não.
 Seguindo em frente temos aqui nossa conclusão sobre o tema. Acontece que a existência de verdades humanas ou naturais é fato não discutível, embora seja a nossa interpretação que nos dê a impressão de isso não ser verdade. Contudo não quer dizer que só porque você não é capaz de entender plenamente algo que a existência desse algo seja presumivelmente descartável. Certas coisas simplesmente existem e o que deveria estar em debate não é sua existência ou diversas interpretações, mas sim seu princípio e seu fim. 

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