Caros leitores, como vão vocês? Eu vou bem, obrigado por perguntar Creuza. Mais um poema aí, dessa vez tive uma ideia enquanto olhava para uma ilustração feita por mim mesmo (em meu caderno e por isso não acompanha a postagem), essa coisa narcisista gerou então algumas linhas, essas linhas viraram versos e os versos um poema. De modo geral não está bem acabado, mas gosto dele e das entrelinhas, o modo como o eu-lírico culpa a amada, mas mostra-se responsável pela própria dor, pela ferida da memória. É algo a se pensar: se na verdade muitas das preocupações mundanas que levamos conosco não são fruto apenas de nossas ansiedades e delírios sãos de pessoas loucas (olha que bonito isso).
Enfim, boa leitura.
Eu não quero mais, Enara, viver de teu sorriso
Não quero mais beber de teu calor
Não quero mais ouvir tua fala:
amor - doce palavra -
murmúrios ecoantes em salões vazios
que me fazem sentir da morte os lábios frios
e divagar sem parar.
Eu não quero mais, Enara, esquecer-me em sonhos
dar-te meus ombros - para galgar às solitárias estrelas.
Me fez vender vendetas vazias aos ricos cegos das vilas,
não quero mais ter a ti como a mais linda.
Iluda-me! Não! Jamais voltará a ser
tua face bondosa esconde o veneno da maldade
- que antes não pude ver
Eu não quero mais, Enara, o seu cheiro doce -
como mel se faz fiel e atrai o zangão.
Não quero mais ser teu escravo,
velejar por mares tempestuosos a seu encalço
todo cheio de fúria e bravo -
como o guerreiro que era ermitão ...
Me deixe, Enara, viver em paz!
Não quero mais memória! Desfaça-se fugaz
e abandone - audaz - o pedaço rasgado,
o trapo amarrado, os restos de meu coração ...
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