Ainda na vibe das poesias hoje teremos mais uma ou duas, além de curtos pensamentos meus, nada mais que algumas frases, algumas ideias... Loucuras pequenas cruzando o caminho de vocês.
I
Quando poderei abrir a janela de teu olhar
e ver paraíso oculto neles?
Passaram-se já semanas, meses
e ainda não pude te decifrar.
Sou um abobado completo:
não te entendo, me perco,
sou tolo! Me renegue, um abjeto -
desafio a chuva, mas sou lago seco...
Brilham como alta esmeralda
o olhar dela me inibe
além de sorriso rubro e pele alva
é cruel estátua. Um crime -
ser tão calma
e me deixar tão pouco livre
II
O vento é a carícia dos céus
- toque devagar em meus braços
O trovão é a palavra da tempestade
- sussurre lentamente em meu ouvido
O relâmpago é o momento brilhante
onde encontram-se dois amantes
- beije devagar os meus lábios
Vingadora Tempestade, amiga,
mulher de fúria, estou sujeito a sua vontade,
ao seu frio ardor, sua luxúria.
Não me dê apenas a chuva
- sabor doce de tuas lágrimas
Vinde a mim, céu negro
é o seu desejo - eu quero assim
Piedosa Tempestade, rainha,
honro teu nome com minha alegria
mas para isso, peço que seja minha
Caem chuva, raios, ventos
me deleito em pensamentos
De minha amada Tempestade
III
Quando eu morrer não sei se vou querer uma despedida. Creio não querer, afinal vou estar morto - as despedidas são, sem mais nem menos, para os egoístas ainda na terra. Gostaria de poder ver as faces de cada um deles e rir, zombar desse apego medíocre ao que é efêmero e pequeno. Eu sou limitado, você é limitado - limitada, todos nós juntos somos. Não adianta falar sobre outros planos e outras vidas, há apenas uma oportunidade de fazer o hoje - é agora. Quando eu morrer não quero deixar arrependimentos, não quero deixar na terra um sentimento de incompleto com os meus objetivos. Quero marcar a Terra, mesmo insignificante, e repousar eternamente em um túmulo de átomos, desaparecer devagar - virar pedaço do cosmos como o cosmos foi ali pedaço meu, vou ser parte integrante do todo sem saber, como fui sabendo agora. Quando eu morrer, não sei se quero as pessoas em meu enterro, não acho que elas vão entender pelo que eu vivi.
Muito bom!
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