Talvez
um dos maiores problemas comportamentais de hoje seja a transformação do
ceticismo – a premissa de que aceitar uma ideia só é possível através da dúvida
– em um defeito. O objetivo aqui não é determinar as causas relacionadas ao
surgimento do problema, mas sim demonstrar que está no ceticismo a causa para
toda criação humana.
Vale
começar dizendo que o ceticismo é a mãe de toda a criação, mãe da filosofia e
da ciência. Quando o primeiro grego, chinês e todos os outros povos pararam
para pensar e disseram: “Mas como assim os deuses criaram tudo? Explica isso
melhor aí Apetokospópolos.” E vale ressaltar os gregos, vista que somos
derivados de seus pensamentos – vide ocidentais, como os pioneiros nesse
assunto.
(Claro
que os chineses já estavam lá havia um bom tempo também, mas vamos tratar do
que é comum a todos nós.)
É
possível imaginar naquela época como algumas figuras notáveis como Sócrates,
Platão e Aristóteles (só para destacar os populares da “escolinha”) -
especialmente Sócrates com a dialética e maiêutica sempre questionando os
hábitos dos atenienses – deviam ser considerados “chatos” com suas indagações.
A
filosofia na Grécia pode parecer para qualquer observador casual um grande
movimento libertador, mas em lugares como Esparta havia menos tempo para isso e
em Atenas a vida política ditava a moda dos discursos – sofistas – e se você
acha que não, reflita um pouco sobre como Sócrates morreu.
Mesmo
naquela época onde o pensamento racional era visto como uma maravilha e havia
liberdade para debater, os problemas quanto ao ceticismo já existiam. O que
dizer então da Idade Média ou do período maravilhoso do Império Romano já
decadente – onde imperadores elegiam cavalos e declaravam guerras aos mares.
Hoje
uma melhora considerável vem acontecendo, mas isso não quer dizer que estamos
próximos de um bom senso admirável para as gerações futuras. Muitas vezes
quando você questiona o por que de uma afirmação ser considerada verdadeira a
única resposta que obtém é “Porque sim” ou “Não cabe a você saber o por quê, só
te cabe calar a boa e aceitar” e variações semelhantes. Quanto mais essas
situações se repetem, mais o cético é visto como o “chato da roda”, que
discorda de todo mundo o tempo todo e por qualquer motivo.
Talvez
devêssemos nos perguntar se não seríamos nós os chatos, ao aceitarmos qualquer
resposta como verdade, afinal, é melhor ser um cético chato com as dúvidas que
levam as respostas certas do que ser o crente cego cheio das mentiras
confortadoras.

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