Até onde iríamos caminhar?

Até onde eu iria caminhar com ela? Até onde estaria disposto a ir? Eu não tinha ideia, era uma ponte de luzes no paraíso capaz de nos guiar para qualquer lugar.
As estrelas estavam todas diante de nós, para podermos vê-las. Nelas propagavam-se as faces e vozes de mil vezes mil pessoas antes que percorreram o mesmo caminho, de felicidade e realização, mas frágil e pouco fácil de ver. O céu noturno era azul escuro, tão forte a luz brilhava – ela como patrona dos amores. Sob nós uma escuridão profunda, o nosso esquecimento, as nossas coisas jogadas fora pelas situações da vida.
Lado a lado, mão a mão, andamos, sorrimos, e por pouco não deixamos de cair e alcançamos as estrelas. Caímos, como eu esperava cair e talvez por isso o tivesse feito, mas foi devagar, primeiro bambeando e depois suavemente ao longo da encosta negra do abismo interior em nós. Enquanto caíamos ainda tentávamos nos agarrar, mas cada vez que nos esbarrávamos gerávamos em nós uma dor profunda, uma agonia marcante em nossas mentes, gravada pelo fogo do coração. Éramos nós mesmos dizendo para largar, que deixássemos a queda mais rápida, indolor; mas não nos ensinaram aquilo, nos ensinaram a juntar, nunca a separar, por mais doloroso que fosse.
Fomos, e engolimo-nos cada um a seu modo, cada um a seu tempo, para nos esquecermos rancorosos do paraíso que havia lá em cima, na estrada invisível guiada por estrelas e iluminada pela lua.

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