Dante, não quero que me sigas ao inferno,
pois meus lábios já são o frio inverno
e meu seio descansa eterno.
Meu amor por você está morto, e foi belo.
Beatriz, não se despeça ainda,
pois meu amor por você é minha vida
e das flores és meu eterno jardim de margaridas
... tu és no céu e na terra tão querida...
Não nascemos para estarmos juntos
tal qual a dama e o vagabundo
são apaixonados e separados, moribundos
esperando pelo ocaso do mundo...
Quanto spleen e melancolia!
Ainda não é tempo e dia
para isso, então sorria
pois vou tê-la como companhia...
Oh, não insistas nessa ilusão,
pois você é poeta e vive do coração
e o meu já não bate então.
Largue agora de minha pálida mão...
E com que força o farei?
Se não sou cavaleiro ou rei
para essa força ter... jamais terei!
Se me aproximar de ti de volta a trarei...
Tolices! A morte é irrecusável.
Tão forte se faz irretratável.
Tão cruel se faz irreparável.
Toda minha, é inseparável...
Tantos nãos agora,
mas sei que muda ideia alguma hora
e volta aos vivos,
não se finge de morta.
Nessa dor da espera, demora,
eu pulei uma linha torta.
Suas palavras frias foram embora
e sua alma descansa, seu corpo brota
como flor desta cova...
Então vamos nos despedir,
e você vai sair daqui.
Para poder viver, sorrir,
e sobre nós refletir.
Antes de se lançar, cair,
no Inferno cair,
e ver o próprio Satã rugir,
e não poder fugir,
se arrepender por tolices me seguir,
vamos dizer aDeus,
diga...
Adeus!
Mas prometo voltar...
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